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Fazer um crédito para pagar os estudos?

Crédito Universitário com Garantia mútua, o que é?

Trata-se de uma solução financeira a ter em conta para quem está a frequentar o ensino superior ou curso tecnológico. Seja ele uma licenciatura, uma pós-graduação, um mestrado ou um doutoramento. Esta linha tem a particularidade de contemplar um conjunto de condições mais vantajosas perante o exemplo do crédito pessoal: não é necessário possuir qualquer garantia (ex: carro, casa, salário, etc.) É uma boa opção para quem não tem nada portanto. E que melhor exemplo que o típico estudante? Tenciono no decorrer deste artigo, partilhar a minha experiência e o meu ponto de vista sobre esta matéria.

credito estudante

Em 2008, tomei a iniciativa de envergar pelo Crédito Universitário com Garantia mútua. Iria iniciar um mestrado na área das Artes em Paris. Primeiro ponto positivo: não tinha que ser uma Universidade Portuguesa, o único documento necessário era o comprovativo de inscrição ou o próprio cartão de estudante da Universidade em questão. Solicitei apenas 5000 euros porque havia sempre a hipótese de arranjar um part-time mais tarde, para além de haver sempre a possibilidade de não gostar do curso. Optei por jogar pelo seguro. No entanto, existe um aspecto para o qual quero chamar a atenção e que paguei caro mais tarde por confiar mais no bancário do que no contrato do Crédito Pessoal com Garantia Mútua. Voltarei a este ponto.

Documentos obrigatórios

  • Contrato de Crédito Pessoal assinado
  • Documento comprovativo de Inscrição ou frequência do Curso.
  • Documento comprovativo da média obtida no ano lectivo anterior do curso (quando aplicável). Este ponto pode ser interessante porque o spread do empréstimo varia consoante a nossa média:
  • média Igual ou superior a 16 valores > spread de 0,45%
  • média entre 14 e 16 valores> spread de 0,90%
  • média Inferior a 14 valores ou no início do curso > spread de 1,25%
  • A não apresentação do comprovativo da média anual conduz a aplicação do spread máximo.

Condições para celebrar o contrato

  • Não ter qualquer outro contrato ao abrigo da Linha de Crédito para estudantes com garantia mútua.
  • Não ter qualquer situação de incumprimento para com o Banco de Portugal.
  • Não ter processos judiciais e situações litigiosas pendentes que possam afectar significativamente a situação financeira.

Duração e valor do empréstimo

O valor e o montante é proporcional a duração da formação (sem reprovação) e num valor total nunca superior a 25 mil euros. O valor mínimo por ano é de 1000 euros e um máximo de 5000 euros. Ou seja, no caso de uma licenciatura de cinco anos, podemos pedir o máximo de 5 mil euros por ano e o mínimo de 1000 euros. Escolher um valor mais baixo por ano pode ser uma boa opção para quem quer apenas liquidar as propinas anuais.

Prazo de reembolso

Corresponde ao período de utilização do crédito mais um ano de carência (onde se paga apenas os juros, no meu caso, nunca foram superiores a 30 euros). Isto significa que alguém que inicia uma licenciatura para um período de 5 anos em 2015 só começa a reembolsar a partir de 2021. Tempo do curso 5 anos + 1 ano de carência.

Especificidades e vantagens deste crédito exclusivo para estudantes

  • Não é necessário ter qualquer tipo de rendimentos
  • Não é necessário fiador
  • Não é necessário possuir qualquer bem.
  • Não é cobrado qualquer comissão caso queira amortizar uma parte ou a totalidade da dívida.
  • Uma boa opção para quem quer estudar no estrangeiro!

Todas estas vantagens levantam a seguinte questão: Se não conseguir pagar, quem paga? E se falecer?

Com essa pergunta em mente, inquiri o meu gestor de conta. A resposta foi “que não deveria preocupar-me com isso!” Reforçando a minha preocupação, perguntei de forma perentória: “e se morrer?” Finalmente foi-me explicado que o banco não tendo qualquer garantias da minha parte, celebrou um protocolo com a Garval – Sociedade de Garantia Mútua. Este protocolo regula os termos dos requisitos que devem revestir os empréstimos concedidos ao abrigo da Linha de Crédito para Estudantes do Ensino Superior com garantia mútua. Na verdade… fiquei na mesma!

Felizmente, encontrei alguma informação complementar no site do Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas:

“No ano lectivo 2007/08 foi lançado um sistema de empréstimos para estudantes com garantia mútua subscrito pelo Estado. Este é um sistema de partilha de riscos que envolve o sector bancário e é universal, podendo ser acedido por todos os estudantes sem necessidade de qualquer garantia ou fiador já que essa garantia é prestada pelo Estado português”. Fonte: http://www.crup.pt/pt/estudantes/sistema-de-emprestimos-com-garantia-mutua

Em boa análise, seria o estado português a suportar a dívida. Mas quem diz Estado, diz Ministério das Finanças, e quem diz Ministério das Finanças, sabe que como qualquer ministério das finanças encontrará sempre maneira de cobrar a dívida. Talvez por isso o meu querido gestor bancário disse-me para não me preocupar com isso!

Cuidados a ter: estabelecer bem o prazo de reembolso

O meu caso:




Pedi um empréstimo de 5000 euros para o decorrer de um ano lectivo. Esse valor foi-me pago em prestações mensais de cerca de 420 euros, as tais “tranches”.

Antes de assinar o contrato, perguntei se podia alagar o prazo de reembolso se assim o desejasse. Responderam pela positiva. Com essa possibilidade em cima da mesa, não hesitei, e pedi logo o prazo de reembolso mais curto, para reduzir os custos associados aos juros. No primeiro ano pagava apenas os juros (cerca de 30 anos mensais) e a partir do segundo ano, uma mensalidade em valores sempre próximos dos 420 euros. Perante a minha dificuldade em liquidar um valor tão elevado, solicitei o alargamento do prazo do reembolso. Por minha grande surpresa, disseram que não era possível; o contrato não o permitia.  Tive de entrar em modo poupança extrema e recorrer a conta poupança que os meus pais abriram pouco tempo depois de nascer. Portanto, peça sempre o prazo máximo de reembolso ou então certifique-se com o seu gestor onde se encontra a alinha do contrato que permite alterar o prazo! 

A minha experiência e conselho

Actualmente estou na área das tecnologias da informação (em constante expansão em Portugal) sem nunca ter exercido a minha área de estudo. Pela minha experiência, que vale o que vale, se apostar na área da informática, o seu retorno é praticamente garantido! Apostar numa ou várias línguas estrangeiras, é também uma boa opção para valorizar o seu futuro, a sua internacionalização e o seu sucesso no mundo laboral. Em suma, antes de iniciar o crédito para pagar os seus estudos, pense muito bem se vai conseguir o retorno do seu investimento. Quer para restituir o valor ao banco por um lado, quer para entrar rapidamente no mercado de trabalho por outro. Contrair uma dívida com uma instituição financeira para fazer um doutoramento em Filosofia, poderá não ser a melhor opção… Digo isto em conhecimento de causa. Eu próprio iniciei um doutoramento na área das ciências Humanas! Espero ter sido útil e esclarecedor ao longo destas linhas.

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