Ir para o conteúdo

Energia cara: 68% dos inquiridos em Portugal dizem ter perdido poder de compra

A energia cara reduziu significativamente o poder de compra, segundo 68% dos inquiridos em Portugal num estudo do BEI. Conheça os cortes relatados pelas famílias e os limites deste resultado.

Mais de dois terços dos participantes em Portugal no oitavo Inquérito sobre Clima do Banco Europeu de Investimento (BEI) dizem que o aumento dos custos da energia afetou significativamente o seu poder de compra. Os resultados foram divulgados em 5 de novembro de 2026 e abrangem despesas com eletricidade, gás, combustíveis e gasóleo para aquecimento.

O impacto é declarado pelos participantes: não significa que os rendimentos tenham caído 68%, nem indica quanto dinheiro cada pessoa perdeu. A percentagem identifica quem relatou uma quebra significativa na capacidade de comprar bens e serviços.

O que mostram as respostas em Portugal

O inquérito ouviu 1.000 pessoas em Portugal, com 16 ou mais anos, entre 3 e 25 de agosto de 2026. As respostas sobre o impacto da energia referem-se aos 12 meses anteriores, não apenas ao mês de divulgação.

Entre os participantes em Portugal, 68% disseram ter sentido uma redução significativa do poder de compra. Nesse conjunto de respostas, o estudo identifica 23% do total que classificaram o impacto como muito significativo.

Na União Europeia, 60% relataram uma forte quebra do poder de compra. O resultado português fica, assim, oito pontos percentuais acima desse valor. A comparação descreve as respostas ao estudo; não permite concluir que os preços da energia sejam oito pontos mais altos em Portugal.

O que é o poder de compra?

Poder de compra é a quantidade de bens e serviços que o dinheiro disponível permite pagar. Se as despesas aumentarem sem um aumento equivalente dos rendimentos, esse dinheiro permite comprar menos. Neste inquérito, a perda é relatada pelos participantes.

Fontes: Aumento do custo da energia reduz poder de compra de 68% dos portugueses, revela inquérito do BEI (Dinheiro Vivo / DN — Finanças Pessoais)

Os cortes chegaram à alimentação, à saúde e ao aquecimento

As respostas mostram que a pressão sobre o orçamento não ficou limitada à própria fatura energética. Houve participantes que reduziram despesas com alimentação ou saúde e outros que cortaram no aquecimento.

O estudo também reúne, numa só categoria, quem contraiu dívidas, pediu ajuda financeira ou adiou o pagamento de uma fatura de energia. Não permite atribuir a percentagem dessa categoria a cada uma das três situações.

A utilização do automóvel também mudou: 65% dos participantes em Portugal disseram ter alterado hábitos. Entre as mudanças relatadas estão limitar deslocações a necessidades básicas, desistir de viagens ou conduzir mais devagar para gastar menos combustível.

Consequências relatadas no orçamento
  • 34 %

    Referiram cortes nas despesas com alimentação ou saúde.

  • 24 %

    Disseram ter reduzido o aquecimento.

  • 13 %

    Contraíram dívidas, pediram ajuda financeira ou adiaram uma fatura de energia.

Inquérito do BEI de 2026: respostas em Portugal. Os indicadores podem sobrepor-se e não devem ser somados. Os 13% abrangem pelo menos uma das três situações indicadas, não cada situação isoladamente.

Fontes: Aumento do custo da energia reduz poder de compra de 68% dos portugueses, revela inquérito do BEI (Dinheiro Vivo / DN — Finanças Pessoais)

Uma perda sentida não é uma perda medida em euros

Estes resultados ajudam a perceber as dificuldades relatadas pelas pessoas, mas não substituem uma análise dos seus rendimentos e despesas. Para medir a perda de cada agregado seria necessário conhecer, entre outros elementos, o dinheiro disponível e a evolução dos preços dos produtos e serviços que utiliza.

Também não se devem somar as percentagens dos diferentes cortes. Uma mesma pessoa pode ter reduzido o aquecimento e as despesas de alimentação, por exemplo. As respostas não representam necessariamente grupos separados.

A recomendação parlamentar não altera, por si só, as faturas

O tema já tinha motivado uma recomendação da Assembleia da República, publicada em 26 de maio de 2026. O texto recomenda ao Governo medidas sobre os impostos dos combustíveis e sobre a aplicação de uma taxa reduzida de imposto à eletricidade e ao gás canalizado.

Essa resolução não prova que as alterações tenham sido executadas. Por si só, não cria um desconto na fatura nem um apoio a que as famílias possam candidatar-se. É necessário confirmar a legislação que concretize cada medida antes de contar com qualquer redução.

O que verificar no orçamento de casa

Para perceber a situação do agregado, um primeiro passo útil é comparar faturas de períodos semelhantes e verificar se a diferença vem do consumo, do preço ou de ambos. O valor final, sozinho, não esclarece essa distinção.

Convém ainda separar as despesas de eletricidade, gás e combustíveis. Assim, torna-se mais claro onde aumentaram os encargos e que pagamentos estão a pressionar o orçamento. O inquérito descreve uma dificuldade coletiva; não determina a melhor decisão contratual para cada família.

Fontes



Fórum: participe na conversa

Tem uma dúvida ou uma experiência para partilhar? Deixe o seu comentário.

Deixe o seu comentário

O seu email não será publicado. Os campos obrigatórios estão assinalados com *.

Ainda não há comentários. Seja a primeira pessoa a participar.