Crédito consolidado: pagar menos por mês pode custar mais no total
Ter vários empréstimos pode tornar difícil acompanhar as prestações e equilibrar o orçamento. O crédito consolidado junta dívidas num novo contrato, mas não garante poupança. Antes de decidir, importa perceber quanto falta pagar, que alternativas existem e se o alívio mensal aumenta a conta final.

O que faz o crédito consolidado?
O novo empréstimo serve para pagar os créditos incluídos na operação. Em vez de várias prestações desses contratos, passa a existir uma prestação do novo crédito. A dívida não desaparece: muda de contrato.
Uma prestação mais baixa pode resultar de um prazo mais longo. Nesse caso, o orçamento ganha margem todos os meses, mas o total de juros pode aumentar. Por isso, «pagar menos por mês» e «pagar menos no total» são objetivos diferentes.
Conceitos em linguagem simples: consolidar é juntar vários empréstimos num novo contrato. Renegociar é acordar alterações num contrato existente, como o prazo ou a taxa de juro, isto é, a percentagem usada para calcular os juros.
1. Começar pelo valor da dívida, não pela nova prestação
Antes de procurar propostas, convém reunir os contratos e fazer uma lista com:
- O valor em dívida em cada empréstimo.
- A prestação mensal e o número de prestações em falta.
- Os juros, seguros e outros encargos.
- As eventuais prestações em atraso.
- O custo de pagar cada empréstimo antes do fim.
O mapa de responsabilidades de crédito pode ajudar neste levantamento. É gratuito e está disponível no Banco de Portugal.
O que é este mapa? É um documento que reúne informação comunicada pelas instituições sobre os créditos do cliente e a situação dos pagamentos. Ajuda a identificar dívidas, mas não substitui os contratos nem os valores atualizados pedidos aos bancos.
Importa também verificar se algum empréstimo está perto de terminar. Nesse caso, o peso das prestações poderá baixar em breve sem um novo contrato.
2. Ver se é possível reduzir a dívida sem novo crédito
O orçamento deve mostrar quanto entra, quanto é necessário para as despesas essenciais e quanto fica disponível para os empréstimos. O objetivo não é cortar despesas a qualquer custo, mas perceber que pagamento é sustentável.
Se existir dinheiro disponível, pode ser útil comparar a redução de uma dívida com a consolidação. Esse pagamento não deve deixar sem cobertura as despesas essenciais ou necessidades previsíveis.
O que significa amortizar? É devolver parte ou a totalidade do dinheiro emprestado. Quando esse pagamento acontece antes da data prevista, chama-se reembolso antecipado e pode ter custos.
Reduzir a dívida é um objetivo. Não é uma condição para pedir ajuda. Se houver risco de não conseguir pagar a próxima prestação, o contacto com a instituição deve ser feito sem esperar.
Quando há utilização repetida de cartões para cobrir despesas, interessa perceber por que motivo a dívida volta a crescer. O guia sobre crédito revolving explica como o pagamento em pequenas parcelas pode prolongar uma dívida.
3. Comparar três caminhos
A comparação deve incluir manter os contratos atuais, pedir uma renegociação e contratar crédito consolidado. A melhor prestação mensal, por si só, não mostra qual tem o menor custo.
Para comparar propostas de crédito aos consumidores, deve ser pedida a FIN. Se o contrato tiver um imóvel como garantia, o documento correspondente é a FINE.
Documentos a conhecer: FIN significa ficha de informação normalizada; FINE significa ficha de informação normalizada europeia. Apresentam as condições propostas antes da assinatura.
Em cada opção, importa verificar:
- Quanto será pago por mês e durante quanto tempo.
- Quanto será pago no total.
- Que comissões, seguros e outros produtos estão associados.
- Quanto custa terminar os créditos antigos.
- Que garantias são exigidas.
Dois indicadores úteis: a TAEG, taxa anual de encargos efetiva global, exprime o custo do crédito numa percentagem anual. O MTIC, montante total imputado ao consumidor, indica o total a pagar pelo empréstimo, incluindo o dinheiro emprestado e os custos.
A TAEG não inclui todas as despesas. Por exemplo, não inclui comissões de reembolso antecipado nem custos notariais. Estes encargos também devem entrar nas contas, quando existirem.
Exemplo hipotético: menos por mês, mais no total
Este exemplo é apenas aritmético. Admite prestações fixas e ausência de outros pagamentos.
| Opção | Prestação mensal | Meses em falta | Total a pagar |
|---|---|---|---|
| Manter os créditos | 400 € | 36 | 14 400 € |
| Consolidar | 280 € | 60 | 16 800 € |
A consolidação liberta 120 euros por mês, mas prolonga os pagamentos por mais 24 meses e aumenta o total em 2 400 euros. Numa proposta real, é necessário acrescentar os encargos que não estejam incluídos.
4. Confirmar a aprovação e as garantias
A instituição tem de avaliar a capacidade de pagamento antes de conceder crédito. Pode pedir comprovativos de rendimentos, despesas e situação profissional, além de consultar informação sobre outros empréstimos.
O que é a solvabilidade? É a capacidade de cumprir os pagamentos de um empréstimo. A sua avaliação não garante aprovação: a instituição pode recusar o pedido.
Se a proposta exigir uma hipoteca, existe um imóvel dado como garantia. Esse imóvel pode estar em risco em caso de falta de pagamento. As regras destes contratos não são iguais às do crédito aos consumidores sem hipoteca.
5. Pedir apoio se as prestações já não couberem no orçamento
Antes de existirem atrasos, o PARI enquadra a avaliação do risco e a procura de soluções pela instituição.
PARI: Plano de Ação para o Risco de Incumprimento. Serve para prevenir a falta de pagamento.
Quando já existem prestações em atraso, o PERSI procura soluções negociadas, fora dos tribunais. Não garante uma consolidação.
PERSI: Procedimento Extrajudicial de Regularização de Situações de Incumprimento. É um procedimento para procurar resolver atrasos no pagamento.
Também existe apoio gratuito através da RACE, a Rede de Apoio ao Cliente Bancário, que presta informação, aconselhamento e acompanhamento. A lista de entidades está disponível no Portal do Cliente Bancário.
Antes de assinar, a pergunta central é esta: a proposta permite pagar de forma sustentável e com que custo total? Esta informação é geral e não substitui a análise dos contratos e da situação financeira de cada pessoa.
O que se diz
Perguntas reformuladas a partir das discussões públicas indicadas abaixo.
Como comparar a consolidação com manter os créditos atuais quando um deles está quase pago?
A nossa resposta
É importante comparar os pagamentos que ainda faltam, e não os valores pagos desde o início. Se um crédito estiver quase terminado, a sua prestação deixará de pesar no orçamento mais cedo. Incluí-lo num novo empréstimo mais longo pode prolongar o pagamento dessa dívida.
A comparação deve mostrar, mês a mês, quando terminam os contratos atuais e quanto falta pagar no total. Depois, deve confrontar esses valores com o prazo, as prestações e os custos da consolidação, incluindo os encargos de terminar os contratos antigos.
Fontes para esta resposta: Como contratar | Portal do Cliente Bancario Consolidar créditos: vale a pena? | DECO PROteste
Juntar os créditos chega para sair da dívida se continuar a faltar dinheiro para as despesas?
A nossa resposta
Uma prestação menor pode dar margem, mas não garante que o orçamento fique equilibrado. É necessário verificar se os rendimentos chegam para a nova prestação, as despesas essenciais e as restantes obrigações. Se continuar a ser necessário recorrer a crédito para pagar despesas correntes, a dívida pode voltar a aumentar.
Quando existe risco de deixar de pagar, o contacto com a instituição não deve esperar por uma redução prévia da dívida. O banco deve avaliar a situação no âmbito dos mecanismos de prevenção, sem que isso garanta a aprovação de uma consolidação.
Fontes para esta resposta: Prevenção do incumprimento | Portal do Cliente Bancario Consolidar créditos: vale a pena? | DECO PROteste
Fontes
- Glossario | Portal do Cliente Bancario — clientebancario.bportugal.pt
- Prevenção do incumprimento | Portal do Cliente Bancario — clientebancario.bportugal.pt
- Taxas de juro no crédito aos consumidores | Portal do Cliente Bancario — clientebancario.bportugal.pt
- Avaliação da solvabilidade | Portal do Cliente Bancario — clientebancario.bportugal.pt
- Perguntas Frequentes | Portal do Cliente Bancario — clientebancario.bportugal.pt
- Como contratar | Portal do Cliente Bancario — clientebancario.bportugal.pt
- Responsabilidades de crédito | Portal do Cliente Bancario — clientebancario.bportugal.pt
- Incumprimento de contratos de crédito (A5) — clientebancario.bportugal.pt
- Glossario | Portal do Cliente Bancario — clientebancario.bportugal.pt
- Consolidar créditos: vale a pena? | DECO PROteste — www.deco.proteste.pt