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Gerir melhor o seu dinheiro

O Microcrédito em Portugal

O microcrédito, na sua forma moderna, surgiu em 1976 com o professor Muhammad Yunus no Bangladesh, um dos paises mais pobres do mundo. É uma forma de empréstimo de dinheiro que permite aos excluidos do crédito bancario habitual de obter um financiamento de modo a que possam criar os seus negocios. Em Portugal, o microcrédito tem vindo à desenvolver-se nestes ultimos anos, apoiado pelos maiores bancos portugueses, permintindo a muitos de criarem os seus próprios negócios…

A ideia, oriunda do Bangladesh, valeu ao professor Muhammad Yunus o prémio Nobel da paz em 2006. Vendo a miséria que existia naquela altura no seu país, ele decide de ajudar as camponesas que viviam perto da sua universidade, concedendo pequenos créditos do seu próprio bolso, para que pudessem criar e desenvolver as suas actividades. Yunus ficou surpreendido: todas conseguiam reembolsar o empréstimo, e conseguiam ter sucesso nas suas novas empresas, fugindo à forma moderna de escravidão a que estavam sujeitas! Foi uma iniciativa arriscada: as camponesas não apresentavam nenhuma garantia financeira, elas não tinham bens nenhuns. A única garantia que podiam apresentar, era a vontade delas de conseguirem sair da miséria e a capacidade de trabalhar.

Desde então, emprestar pequenas quantias de dinheiro a pessoas para que elas pudessem investir nos seus negócios deu frutos: as empresas especializadas em microcrédito, como a Grameen Bank fundada por Yunus em 1977, dão lucros, e as pessoas que fizeram o microcrédito conseguem pagar as suas dividas, e serem, para a maioria, bem sucedidas nos seus negócios.

A ideia por detrás do microcrédito é simples : permitindo às pessoas excluídas do sistema bancário de aceder ao financiamento, elas podem integrarem-se novamente na sociedade, criando o seu próprio emprego. É um trabalho social, mas que não é uma esmola : muitos excluídos têm vergonha em ir pedir ajuda, ou orgulho em não pedir ajuda. Assim, o microcrédito, onde ninguém dá nada à ninguém, é uma solução muito melhor aceite do que a simples ajuda gratuita, em que o ajudado não tem contas para dar.

Com o microcrédito, existe uma responsabilização do beneficiário, em que periodicamente, tem que reembolsar o seu empréstimo. A instituição que emprestou o dinheiro também ajuda, para além do financiamento, na realização prática do projecto.

Microcrédito português

O microcrédito não é um conceito reservado aos países pobres, mas sim um conceito que funciona em qualquer parte do mundo, desde que haja pobreza. Portugal não escapa à pobreza, e muitos portugueses não têm acesso ao crédito bancário, o que dá um motivo justo para desenvolver-se o microcrédito por nossas terras. O mercado de trabalho actual, com a sua grave crise e aumento dos desempregados, com a falta de formação qualificada e problemas dependendo da área geográfica, é um viveiro potencial de futuros empreendedores que vão recorrer ao microcrédito.

O microcrédito existe em todo o país, tanto seja no interior, no norte, em Lisboa, na cidade ou em meio rural. Onde se encontra menos pessoas que recorrem ao microcrédito é na região de Trás-os-Montes, não porque não existe quem possa ajudar os microempresários, mas porque a especificidade da região não permite um grande empreendedorismo individual. Cabe aos Transmontanos corrigir esse facto.

Os sectores de actividade resultantes do microcrédito são vários, e abrangem um pouco de toda a economia portuguesa. Uma grande parte das novas empresas resultantes de um microcrédito (24%) são de alimentação ou de vestuário, mas também encontra-se pastelarias ou bares, actividades de artesanato, cabeleireiros, construção civil…

A União Europeia aposta forte no microcrédito. Para a UE, este instrumento financeiro, ferramenta da microfinança, faz parte das melhores iniciativas para lutar contra o desemprego e lutar contra as desigualdades e a exclusão. Para ajudar o microcrédito, a União Europeia criou o PROGRESS, que visa ajudar as instituições nacionais de microcrédito. Inicialmente dotada de 100 milhões de euros para um programa de quatro anos, entrou em vigor em Abril de 2010.

Microcrédito, vantagens e desvantagens

O microcrédito visa principalmente combater a exclusão social e estimular o espírito empreendedor. As suas vantagens são muitas : permitir aos excluídos do crédito bancário obter um financiamento, ter apoio na criação do seu próprio emprego, uma taxa de juro controlada, e obter um acompanhamento ao longo do desenvolvimento do negócio.

As desvantagens são inerentes ao próprio crédito: é preciso efectuar o reembolso! O microcrédito não uma ajuda gratuita, o estado não dá dinheiro “de graça”, nem o microcrédito consiste numa esmola. O que se pretende, é apoiar os criadores de empresas viáveis a obter um financiamento.

Poucos são os que recorrem hoje ao microcrédito. Muitos por desconhecimento, outros por recusa das instituições, muitas vezes confrontadas com projectos poucos viáveis, sem realismo. Existe outros programas que podem ajudar o futuro empresário a criar o seu próprio negócio, como por exemplo o Programa de Apoio ao Empreendedorismo e à Criação do Próprio Emprego : são duas linhas de crédito, uma que pode ir até 200 000 euros, a “Linha Invest+”, e outra, mais vocacionada para o publico do microcrédito, os desempregados, que pode ir até 15000 euros, a “Linha Microinvest”.

Como fazer um microcrédito?

É preciso perceber que o principal para se obter um microcrédito, antes de tudo, é conseguir cativar a confiança da instituição que vai emprestar dinheiro. Alias, a palavra “crédito” é sinónimo de isso mesmo, de confiança : “dar crédito” à alguém, ter confiança nesse alguém.

Empréstimo sem garantias

O microcrédito foi criado para que os que não podem obter um crédito por falta de garantias, de fiadores ou de rendimentos estáveis possam obter um crédito, na condição que esse dinheiro emprestado seja para a criação do seu próprio emprego.

A primeira coisa a fazer é antes de mais ter um projecto para a criação do seu próprio emprego, e sobretudo, acreditar nele. Acreditar que tem pernas para andar! A partir dessa ideia, falar com amigos e familiares, que podem também dar as suas opiniões, ajudarem à concretizar o sonho de uma vida, mas sempre com os pés bem assentes na terra. Quando o projecto, já estiver bem construído, é preciso ir ter com quem sabe, com quem pode ajudar. Altura de chamar a ANDC.

ANDC, para ter ajuda na obtenção de um crédito

Em 1998, a Associação Nacional de Direito ao Crédito (ANDC) foi fundada. Desde então, por seu mérito e trabalho, a ANDC obteve o estatuto de “Utilidade Publica”. A sua principal função é de apoiar quem não tem acesso, em condições normais, ao crédito bancário. O seu apoio às pessoas que querem montar uma empresa é fundamental. A ANDC avalia o projecto, apoia o microempresário na preparação das suas candidaturas ao microcrédito e acompanha-o durante a desenvolvimento dos seus negócios.

A ANDC conta com vários apoios, a começar pelo dos seus associados, que pagam as suas quotas, pelos voluntários e das instituições de solidariedade. Conta também com o precioso apoio do Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP), já que a ANDC permite a pessoas desempregadas de encontrarem novamente um emprego.

Três bancos em Portugal concedem microcréditos, e trabalham com a Associação Nacional de Direito ao Crédito : o Millennium BCP, a Caixa Geral de Depósitos (CGD) e o Banco Espírito Santo (BES). A decisão de atribuição do microcrédito está sempre dependente da aprovação de Comissão de Crédito, que faz parte da ANDC, e que remete para o banco a proposta de financiamento. Em ultima instância, o banco, que é quem empresta o dinheiro, é que decide, mas se tiver a aprovação da ANDC, não deverá ter dificuldades por aí: o banco faz confiança na ANDC, associação habituada em encontrar os bons candidatos para o microcrédito.

Para obter ajuda em caso de dificuldades em obter financiamentos para os seus projectos, o melhor é contactar a ANDC. Numero Azul : 808 202 922 (custo de uma chamada local).

Quem pode fazer um microcrédito?

O microcrédito não está aberto a todos. É preciso saber que as taxas de juro do microcrédito são por vezes mais elevadas do que um crédito bancário normal: é o preço a pagar pelo maior risco que representa para as instituições financeiras, mas os juros sempre são menores do que os praticados no crédito revolving. Para além do financiamento, o que conta muito, talvez ainda mais do que o dinheiro, é o acompanhamento que é feito ao microempresário. Para se obter um microcrédito, deve-se:

  • não ter acesso ao crédito bancário clássico
  • não ter incidentes bancários (pagamentos em falta, por exemplo)
  • estar desempregado, sem ocupação estável (imigrantes, reformados, domésticas…)
  • ter um projecto viável de negócio para a criação do seu próprio emprego
  • ter a capacidade, a formação para desenvolver a sua actividade, e ter uma forte vontade.

Fiador para microcrédito

Se reunir todas essas condições, está na altura de recorrer ao microcrédito! Também precisa de saber que exista uma condição obrigatória para se obter um microcrédito: ter alguém que seja fiador de pelo menos 20% do empréstimo. Se pedir 5000 euros emprestados, precisa de ter alguém que lhe faça confiança para ser fiador de pelo menos 1000 euros. Essa pessoa, que aposta no microempresário, que têm confiança, é um argumento que permite à banca acreditar no projecto.

Bancos que fazem microcrédito

Os bancos portugueses que fazem microcrédito também têm pessoas, para além da ANDC, que acompanham os microempresários. Estes gestores de projecto ajudam a estabelecer a melhor solução de crédito, apoiam na preparação e planeamento da empresa, aconselham na gestão da empresa… Em 2010, três bancos fazem microcréditos com o apoio da ANDC, cada um com condições especificas.

Millennium BCP

O Millennium BCP, primeiro banco a ter passado um acordo com a ANDC em 1999, têm já uma larga experiência do microcrédito. Permite obter empréstimos até 17500 euros por candidato.

Telefone: 707 500 075

Caixa Geral de Depósitos (CGD)

A CGD, banco do estado, permite obter dois tipos de empréstimos sem garantia (ou quase, já que se exige fiador). No primeiro, o Microcrédito, os montantes podem ir até 12500 euros, reembolsáveis em 48 meses. As taxas de juro estão indexadas ao Euribor a 3 meses, com +2% de spread, o que faz um TAE de 2,7% em Setembro de 2010. O organismo da CGD que trata do microcrédito é a ACM, Agência Central para o Microcrédito, que recebe os projectos de candidatura, e que trabalha com a ANDC no acompanhamento dos clientes.

O segundo tipo de crédito de apoio à criação de empresas é a linha de crédito Microinvest. Esta linha de apoio ao empreendedorismo e à criação do próprio emprego resulta de um protocolo entre a CGD, o IEFP, as Sociedades de Garantia Mutua e a Sociedade de Investimento. As taxas de juros são bonificadas, e o prazo de reembolso é de 84 meses, com carência de 24 meses : em claro, só começa o reembolso 2 anos após a concessão do crédito.

Mail: microcredito@cgd.pt

Telefone: 808 200 980

Banco Espírito Santo (BES)

O BES possui de igual modo um acompanhamento personalizado. Os seus microcréditos estão sujeitos à aprovação do BES Central Balcão Microcrédito. Os seus empréstimos vão de 250 até 12500 euros. A taxa de juro está indexada à Euribor à 3 meses, + 6% de spread (o que é sensivelmente mais elevado do que a CGD). Os prazos para reembolso vão de 3 até 48 meses.

Mail: microcredito@bes.pt

5 commentários para “O Microcrédito em Portugal”

  1. Antonio SIlva says:

    Bom dia
    estou desempregado e preciso de alguem que me faça um emprestimo de €2500 urgente.
    924396400

  2. manuel santos says:

    tenho um projto aprovdo no valor de 11.900 euros e preciso de mais 10,000 mil para o concretizar .Como e o que devo fazer

  3. deusmar says:

    quero obter um inprestimo para minha inpreza de contrucao civil

  4. Henriques Eusébio says:

    pretendo aderir o microcredito no valor de 3500 euros, para criação de um emprego

  5. elsa teixeira says:

    quero montar uma panificadora para sair da miseria, sei que e uma area boa e lucrativa.

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